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Planos de negócio e Criação de Empresa

Planificar os objetivos e os métodos a seguir para viabilizar o negócio, permite aos fundadores compreenderem as necessidades e requisitos da sua empresa e dá aos financiadores um mapa mental e estratégico da startup.

Contudo, a existência de um plano de negócio passa apenas a ser realmente necessária quando uma empresa necessita de ir buscar investidores.

Numa fase inicial um plano de negócio passa mais por criar um mapa de evolução que permite aos fundadores, e participantes iniciais, perceberem o percurso que a empresa deve percorrer para atingir sucesso. Como muitas empresas sofrem iterações de produto, estrutura e objetivos, o plano inicial deve passar mais por tentar definir a filosofia, objetivos e targets, do que criar uma estrutura completa e detalhada da empresa.

Após desenvolver um produto mínimo viável, muitas vezes a startup necessita de financiamento para poder crescer o seu mercado, melhorar o seu produto e sustentar a continuação da firma. É aqui que o plano de negócio passa a ser mais útil, pois permite aos fundadores traduzirem a sua empresa e produtos numa maneira em que financiadores conseguirão avaliar e possivelmente financiar.

É importante perceber quão detalhado deve ser o plano de negócio. Os investidores não têm tempo para ter planos de negócios de 60 páginas, como acontecia anteriormente. Esta é uma ideia em franco desuso, em prol de apresentações mais curtas e incisivas.

Especialmente para as startups os planos de negócio convencionais e exaustivos não são muito considerados. Estão os planos de negócio a tornarem-se obsoletos para as startups? Geralmente, o seu desenvolvimento requer recursos que muitas vezes as startups não tem disponibilidade para dedicar.

Pitch Deck

Atualmente a ideia que se comunica aos investidores é um Pitch Deck. O conceito destes planos é apresentarem o máximo de informação com o menor número possível de palavras. Os Pitch Deck são normalmente feitos através do powerpoint ou keynote e são uma visão sucinta e assertiva do como, o quê, quando e porquê.

Pitch Deck

Segundo o Pitch Deck o formato tem 12 slides essenciais.

  1. Introdução. Uma introdução simples, que responda: o que somos e porque estamos a fazê-lo. Começar com o porquê (why?) inspira as pessoas e identifica-as com o conceito, como defende o Simon Sinek.
  1. Equipa. A apresentação dos elementos da equipa e do seu papel na startup devem surgir antes da ideia.
  1. Problema. Qual é a necessidade que este produto vai colmatar? Essa questão urge uma explicação clara, sem margem para qualquer dúvida.
  1. Vantagem. Onde é que o nosso produto é diferente e porque é que sobressai entre outras soluções semelhantes? Este slide deve responder a esta pergunta.
  1. Solução. Descreve como é que estás a planear a resolução do problema. Expliquem de forma o nosso produto irá colmatar esta necessidade.
  1. Produto. Como é que o teu produto ou serviço funcionam? Saber explicar o funcionamento da ideia é essencial.
  1. Amostra. Apresentar a viabilidade do produto é demonstrar que existe um grupo de pessoas que reagiram positivamente ao mesmo. Isto prova o potencial da ideia.
  1. Mercado. Conhecer o mercado ou pelo menos ter uma previsão de quem será o nosso público alvo são importantes informações a comunicar num Pitch Deck.
  1. Concorrência. Existem alternativas válidas no mercado para o produto que vamos lançar? Quais são e como é que funcionam?
  1. Modelo de negócio. Como e quando é que prevemos começar a lucrar com esta ideia? Apresentar um modelo de negócio com todas as previsões é importante para perceber até que ponto todo o modelo está estudado.
  1. Investimento. Apresentar o plano de investimento com prazos e montantes clarifica uma postura séria e empenhada da parte financeira.
  1. Contacto. Por último, mas não menos relevante, apresentar o contacto é estabelecer uma ponte com possíveis investidores.

O plano de negócio representa todas as questões que devem ser respondidas para justificar a existência de um produto. É por isso que os planos de negócio contém não só métricas financeiras, mas também estudos de mercado e soluções de produto.

Algumas das startups de maior sucesso iniciaram os seus projetos com a apresentação de Pitch Deck simples e extremamente claros face ao rumo pretendido. Podem ser consultadas aqui.

Business Model Canvas

Este é um exercício mais interno. Um modelo que permite mapear o negócio a nível estratégico. O mapa resume os pontos chave do negócio, que podem ser revistos e melhorados consoante o sucesso dos mesmos.

A sua organização pode ser descrita em nove pontos base.

  1. Segmentos de clientes: o público alvo para o nosso produto e serviços da nossa empresa.
  2. Canais: as ligações pelas quais a empresa chega aos seus diferentes clientes.
  3. Relação com o cliente: Este processo de relacionamento é conhecido como CRM (Customer Relationship Management). Aborda as ligações entre a startup e os seus diferentes clientes.
  4. Proposição de valor: distingue o produto ou serviço que a empresa apresenta e motivo pelo qual se diferencia da concorrência.
  5. Atividades-chave: as atividades mais relevantes para a empresa e que vão permitir criar a sua proposição de valor.
  6. Recursos: Podem ser humanos, financeiros, físicos ou intelectuais. São os ativos da empresa que mantém e suportam o negócio, como as infra-estruturas.
  7. Parceiros: mostra quem poderá ajudar a alavancar o negócio e a torná-lo melhor e mais eficiente.
  8. Estrutura de custos: o custo que a empresa tem mediante os recursos que utiliza.
  9. Fluxos de receita: são os rendimentos de uma empresa.

Business Model Canvas

Criação de empresa

Transformar uma ideia num negócio requer uma capacidade empresarial do empreendedor para fazer face a possíveis condicionalismos.

As Lojas da Empresa e Balcões do Empreendedor são espaços de atendimento que facilitam a formalização dos negócios por parte dos empreendedores.

O empreendedor pode constituir a sua empresa através da Empresa na Hora, Empresa Online, por documento particular ou escritura pública.

A Empresa Online, no Balcão do Empreendedor, permite criar uma empresa, registar uma marca, obter certidões, tratar do licenciamento industrial através de um processo realizado na íntegra por via electrónica.

Este serviço do estado funciona com a utilização do cartão do cidadão e leitor digital para o mesmo. Tem variada informação detalhada sobre o ciclo de vida das empresas e disponibiliza vários serviços: criar empresa, criar marca online, registar o nome da empresa, gerir registos online, gestão das obrigações legais e gestão do cartão de empresa.

Obrigações fiscais

Antes de mais existe algo a equacionar nesta fase. O recurso a um contabilista. Uma sociedade tem ao seu encargo vários impostos. IRC – Imposto de Rendimento sobre Pessoas Coletivas;  IVA – Imposto sobre o Valor Acrescentado nas operações de compra e venda;  IRS – Imposto de Rendimento sobre Pessoas Singulares, retido sobre os salários dos funcionários e gerência;  TSU – Taxa Social Única, referente às deduções para a segurança Social que incidem sobre as remunerações dos trabalhadores de conta da empresa e de conta dos trabalhadores e gerência.

Nos Estados Unidos

A criação de uma empresa passa por registar a empresa num dos 50 Estados. Aqui alguns Estados desenham as suas leis fiscais de modo a beneficiar aqueles que fundam a empresa nesses Estados. Geralmente a criação de uma empresa nos Estados Unidos requer a participação de pelo menos um Estado Unidense, e permite a participação de estrangeiros desde que estes não sejam empregados assalariados (A empresa necessita de primeiro fornecer um visto aos seus empregados internacionais).

Para muitos internacionais, formar uma empresa nos Estados Unidos é uma aposta custosa mas que pode apresentar benefícios futuros maiores como um mercado mais estável e uma base de consumidores maior.

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