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Avaliar Ideias

Tão importante como ter a ideia é avaliá-la. Neste processo existe risco de perder as melhores ideias enquanto emergem outras de menor potencial.

O método ajuda-nos a identificar qual a ideia que irá funcionar melhor mediante o objetivo/problema em questão.

Existem várias formas de o fazer. A maturação de uma ideia pode seguir vários métodos e técnicas. Como fazer essa avaliação?

Simplicidade

As ideias simples são as ideias de maior sucesso. As ideias devem ser concisas e persuasivas. De fácil entendimento. Não confundir com ser básicas. Uma ideia deve ser facilmente sintetizada. Quando não o é, dificilmente essa ideia está suficientemente madura.

A capacidade de comunicar uma ideia é essencial no contacto com os stakeholders – investidores, clientes, fornecedores, colaboradores, familiares e amigos.

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A reação à ideia é também por si um critério. Se apresentarmos a ideia a cinco pessoas diferentes e não empolgarmos nenhuma, possivelmente algo não está a correr bem. Todo o conceito deve ser revisto.

A perseverança é importante para levar a ideia a fazer o seu trajeto normal. Neste sentido é inevitável haver paixão pela mesma.

Critério

Como é que a nossa ideia resolve determinado problema? A pessoa vai pagar para ver o problema dela resolvido? Vai ser de fácil produção? A nossa ideia é facilmente compreendida? É apelativa para o Mainstream? É patenteável?

Estas são perguntas-chave quando se analisa uma ideia. Levar em consideração estas questões ajuda-nos a tomar melhores decisões.

Ser crítico. Ter coragem para admitir que o conceito não é lucrativo. Conseguir olhar para a ideia do lado de fora. Este é um balanço que devemos adotar constantemente neste processo.

Falar com a audiência do produto

“Eureka”, diria Arquimedes. Se descobrirmos um produto que colmate a necessidade de um público, devemos falar com ele. É o público que nos sugere a viabilidade da ideia. A sua urgência para o mercado. É uma colaboração valiosa quando analisamos o fundamento da mesma.

É preciso encontrá-lo , saber quem são e, mais importante, como são. Os seus hábitos de consumo são dados importantes. Seria lesivo descobrir numa fase tardia que a audiência do nosso produto não tem acesso ao mesmo. Seja por questões logísticas ou financeiras. Conhecer o público alvo é crucial na fase de avaliação da ideia.

Não é demais voltar a referir que empolgar a audiência é um excelente barómetro para conhecermos o potencial sucesso da ideia.

Visão Tridimensional

O que conseguimos fazer bem vs. O que queremos fazer vs. O que nos pagam para fazer. Esta fórmula é uma maneira amadurecida de olhar para a ideia.

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É comum ouvirmos três conselhos de carreira. Segue a tua paixão. Faz aquilo que sabes. Opta por aquilo que dá dinheiro. Este é um modelo mental unidimensional. Omite as outras formas de olhar para o problema. Por isso não nos interessa.

Analisar uma ideia de produto, tal como fazemos com a nossa carreira, deve ter em conta uma perspectiva tridimensional.

O que conseguimos fazer. Engloba as nossas capacidades inatas e treinadas. O empreendedor tem normalmente a capacidade de fazer muito com pouco. Suprime a possível falta de competências com uma rede de contactos extensa e variada. Usa serviços de outsourcing tipo fiverr.com ou freelance.com para criar design ou programar uma app.

O que queremos fazer. O trajeto da ideia até ao protótipo e, posteriormente, produto, é um desafio cheio de dificuldades e incertezas.

A perseverança e a paixão assumem grande importância nesta altura. É muito difícil dar vida a uma ideia, produto ou startup numa área que não nos apaixona. A motivação é amplificada pela paixão.

Este factor tem também o seu lado negativo. As paixões tendem a ser semelhantes. O que poderá criar um vazio em oportunidades de negócio em produtos que não são apelativos para a maioria das pessoas. E estas podem ser áreas lucrativas. Explorar as nossas paixões mais peculiares pode ser rentável.

O que nos pagam para fazer. O terceiro ponto é existir alguém que esteja disposto a pagar pela ideia e produto. Este factor é essencial em qualquer iniciativa potencialmente comercial.

Poucos mas sedentos

Quando se avalia uma ideia é preciso ter em conta um ponto importante. A melhor ideia para um produto não é necessariamente para muitos a mais interessante. É aquela que algumas pessoas vão adorar ou pedir de forma urgente.

“Quando tens uma ideia para uma startup, questiona-te: quem vai precisar imediatamente? Quem precisa tanto que irá usar mesmo quando se trata de uma versão rasca feita por duas pessoas de uma startup que nunca ouviram falar. Se não consegues responder a isto, provavelmente é uma má ideia” – Paul Graham.

Este é o paradigma. A necessidade e o potencial da ideia estão interligados. Não devem por isso ser dissociados quando a mesma é avaliada.

Decifrar o estado de arte

O estado da arte indica o ponto de desenvolvimento da ideia em questão. Com o Google verifica-se em apenas 10 minutos.

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Fazer benchmarking é parte crucial do trajeto rumo à ideia original. À inovação. Caminhamos para a fronteira quando temos pleno conhecimento do mercado. Quando sabemos o que existe.

Avaliar a nossa ideia é conhecer bem o mercado, mas não só. É estar a par dos protótipos que estão a ser desenvolvidos por startups na área especializada. Para isso existem sites específicos com o Techrunch.

Este processo tem um risco de compromisso. Conhecer o mercado e a fronteira pode influenciar-nos a ser consumidos pelo que existe. Devemos ambicionar estar bem fora da praia.

“99% das vezes devemos ignorar os nossos competidores. Especialmente quando fazem muito dinheiro ou são muito falados na imprensa. Não se preocupem com a competição a menos que já estejam a produzir e a enviar produtos”*. Sam Altman.

*http://playbook.samaltman.com/

A competição nem sempre é assim tão importante. Os atletas é que estão habituados à competição. Os empreendedores inovam. Quando se cria algo novo todos ganham.

Olhar de longe para a fronteira

Voltemos a este conceito. É algo que devemos ter em conta. Ponderar. Como já abordámos em gerar ideias, qualquer epifania que tenhamos hoje deverá fazer a diferença daqui a 5-10 anos.

A ideia que estamos a avaliar é um nicho de mercado? Pelo contrário, é um produto numa área que é tendência e um mercado em crescimento?

O pior que nos pode acontecer é lançar um produto num mercado que esteja em declínio. Que esteja esgotado perante os consumidores. Por exemplo, era o que aconteceria caso a nossa aposta envolvesse tecnologia ultrapassada.

Por outro lado, devemos também ter em conta que as soluções mais “chatas” de implementar são normalmente negligenciadas. Esta pode ser uma oportunidade de negócio.

Maturar a ideia é imprescindível. Concluído este processo, estamos preparados para avançar.

A Gartner publica anualmente o seu Hype Cycle que ajuda a situar o estado de maturidade da área tecnológica em que estamos a trabalhar em relação ao mercado. Para 2016, o Gartner Hype Cycle é o seguinte:

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Cálculos de guardanapo

As ideias nascem num Universo de incertezas, e para uma filtragem inicial é útil começar com estimativas e aproximações antes de maiores investimentos. Estes primeiros cálculos de guardanapo são feitos com estimativas e não pretendem ser ultra-precisos nem definitivos.

  • Qual é o tamanho do mercado potencial deste produto/quantas pessoas no mundo têm este problema?
  • Qual é o mercado imediato a que consigo chegar para vender este produto?
  • Quanto é que estarão dispostas as pessoas a pagar por este produto?

Uma primeira aproximação a estas questões dar-nos-á uma primeira indicação do tamanho da oportunidade. Antes de lançar foguetes e meter mão à obra, no entanto, devemos tentar estimar o verso da medalha. Mais uma vez, o que se pretende não é uma investigação profunda mas sim uma estimativa de 2-3 minutos sobre cada pergunta:

  • Quais os principais materiais (bill of materials) do produto e quanto é que eles custam? Qual o custo final do produto?
  • Quais os potenciais desafios tecnológicos? Consegue-se pensar rapidamente em soluções aparentemente viáveis? Existem hoje todos os materiais necessários? A ideia requer alguma tecnologia ainda imatura ou inexistente?

Respondendo às questões acima conseguimos fazer uma primeira filtrar ideias de produto para o qual não existe um mercado suficientemente grande; ou existindo um mercado, é muito difícil de conseguir produzir um produto para vender a um preço a que as pessoas estejam dispostas a pagar; ou ideias de produto que dependem de tecnologias que ainda não estão disponíveis.

Para um exemplo de aplicação de “cálculos de guardanapo” consultar as recomendações para avaliação de projectos de design de um especialista da Google em:
http://highscalability.com/blog/2011/1/26/google-pro-tip-use-back-of-the-envelope-calculations-to-choo.html.

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