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Gerar Ideias

Aideia é o princípio de tudo. A raiz do produto. Não é fácil ter ideias novas, diferenciadoras, que mudem o nosso mundo, nem existe uma fórmula para chegar a elas.

O processo não tem um padrão e o que funciona para alguns não é método para todos.

Vamos simplificar. Existem vários modelos mentais que são úteis e que nos ajudam a gerar ideias.

Observar

Para Paul Graham as ideias orgânicas são as melhores. Se olharmos para as nossas necessidades, o caminho até à ideia será mais simples. Essa mesma necessidade é partilhada por outras pessoas. Solucioná-la é dar uma resposta ao problema de milhares de pessoas como nós, colmatar essa necessidade.

 

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Graham é um dos fundadores da aceleradora YCombinator que lançou a Dropbox, o Airbnb e o Reddit, entre outras 450 startups. É inevitável reconhecer que boas ideias é com ele.

Vamos esquecer a folha de papel em branco. Observar o que se passa em nosso redor pode produzir resultados extremamente úteis.

Tudo depende da forma como olhamos para o problema. É nele que muitas vezes surge a ideia.

Experimentar

A experiência aumenta a capacidade de chegar a uma ideia e a criatividade na forma como lá chegamos. São os nossos conhecimentos adquiridos nas variadas áreas que nos facultam uma visão mais abrangente sobre as ideias.

A criatividade está a ligar as coisas. Ao questionar os criativos sobre como fizeram algo, sentem sempre alguma culpa porque na realidade não o fizeram, inspiraram-se em alguma coisa.
– Steve Jobs.

Sobre o papel dos brainstorms no nascimento de ideias, não existe consenso.

Vários estudos encontram uma correlação na maior interação entre pessoas e o aumento da criatividade e produtividade.

Em contraponto, outras investigações sugerem que a colaboração e até o brainstorming em grupo podem prejudicar a criatividade. (Susan Cain, When Collaboration Kills Creativity)

As pessoas são mais criativas quando estão na sua privacidade. Quando não são interrompidas. Alguns dos profissionais mais eficazes em vários campos são geralmente introvertidos, de acordo com estudo dos psicólogos Mihaly Csikszentmihalyi e Gregory Feist.

É bom ter criativos perto e fontes de inspiração. Já a criatividade tende a vir em momentos mais solitários. A exposição de ideias em grupo corre riscos de gerar conformismo em oposição a inovação disruptiva.

Ter várias competências

“Os martelos só veem pregos”.

Ter várias competências ajuda-nos a olhar para o problema de forma mais criativa. De diferentes prismas. Isto funciona na perfeição com as ideias. Por exemplo, um engenheiro mecânico que perceba de design automóvel terá mais facilidade em conciliar o inovador e funcional com o lado estético.

Conseguimos gerar ideias mais inovadoras e profundas nas áreas onde temos maior experiência. Ao mesmo tempo há um agrupamento das especializações da população em geral definido em grande parte pela estruturação dos cursos de ensino superior. As áreas de especialização tendem por isso ser muito mais concorridas.

Uma grande fonte de oportunidades surge então na intersecção das áreas de especialização. Uma equipa com competências de programação e com conhecimento profundo da área do direito conhecerá com profundidade os problemas que existem para resolver. Têm à sua disposição as competências necessárias para imaginar soluções. Terão também uma vantagem sobre eventuais concorrentes, uma vez que dispõem de uma combinação de competências mais invulgar que as suas áreas de especialização em específico.

Viver no futuro

Prever também é uma forma de idealizar. Muitas das tecnologias atuais foram previstas de alguma forma por escritores de ficção científica. Júlio Verne e Isaac Asimov têm nas suas obras conteúdo premonitório que acabaram por tornar-se negócios úteis e funcionais.

Os automóveis e submarinos já existiam nas palavras de Júlio Verne antes de terem sido pensados e desenvolvidos por engenheiros. Isaac Asimov previu a internet como a conhecemos atualmente, com o Facebook, Youtube e Wikipédia, o que chamara de “futuro fantástico”. Das suas previsões saiu também o carro sem condutor, algo que já é uma realidade e está a ser testada por variadas empresas.

Submarino de Júlio Verne

Viver no futuro leva-nos a estar mais próximos de novas formas de negócio. Construir o que ainda não foi inventado pode ser influenciado pela forma como vemos o mundo.

Qualquer novo produto demora tempo a desenvolver. Existe um período de adoção que pode levar alguns anos, desde que o produto é experimentado pelos early-adopters até chegar ao mainstream. Neste contexto a ideia e o produto vão ter de fazer sentido daqui a 5, 10 ou até 20 anos.

Compreender as tendências

Fazer uma leitura correta sobre a forma com que as novas tecnologias estão a influenciar o rumo da sociedade é estar um passo à frente.

O desenvolvimento de tecnologia tende a seguir uma série de leis de crescimento exponencial que nos permite fazer previsões sobre o futuro. Previsões que nos dão pistas sobre como será o futuro, permitindo-nos imaginar produtos, serviços e mercados que se irão abrir num futuro a médio prazo.

O desenvolvimento de tecnologia tende a seguir uma série de leis de crescimento exponencial que nos permite fazer previsões sobre o futuro. Algumas destas incluem:

 

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Lei de Moore: o número de transístores por centímetro quadrado num circuito integrado duplica a cada 18 meses.

 

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Lei de Haitz: o custo por lúmen dos LEDs cai por um fator de 10 a cada 10 anos, e a quantidade de luz gerada por cada LED aumenta por um fator de 20 para um determinado comprimento de onda.

 

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Lei de Koomey: a energia despendida para uma determinada carga de computação cai para metade a cada ano e meio.

 

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Lei de Kryder: Em 2009 Mark Kryder projetou que a densidade de armazenamento em disco seguia um ritmo de aumento de 40% por ano. Em 2014 verificou-se que a taxa afinal teria sido de 15% nos 5 anos anteriores.

 

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Lei de Nielsen: a largura de banda de internet disponível para os consumidores cresce a um ritmo de 50% por ano.

 

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Lei de Swanson: O preço dos painéis solares cai 20% sempre que se duplica o volume produzido. Ao ritmo atual, o custo cai para metade a cada 10 anos.

Todo este legado de projeção permite ter uma informação mais concisa sobre a evolução da tecnologia. Contribui de forma assertiva na ideia e na sua evolução.

Ganhar inspiração

Persis Diaconis, um conhecido matemático, explicou que a sua criatividade resultava de estímulos aleatórios que procurava sistematicamente. Antes da Internet, Persis lia em diagonal revistas de várias áreas científicas na biblioteca de Stanford University. Essa leitura criava os estímulos necessários para definir e resolver problemas originais.

A Internet permite a geração contínua de novas ideias para produtos, e simultaneamente oferece recursos para as podermos avaliar. Para gerar novas ideias recomendamos a consulta frequente de sites inspiradores (ver lista).

A ideia é apenas o primeiro passo numa maratona.

Por si só pouco valor tem. Mesmo uma grande ideia precisa de uma excelente execução para colher frutos.

É também muito provável e até saudável que se altere a ideia à medida que é executada. Novos protótipos geram novo conhecimento que pode alterar, por exemplo, a perspetiva sobre as principais características do produto ou o melhor mercado alvo.

O risco de concretização de uma ideia aumenta com a sua ambição. 

Ninguém é capaz de prever o futuro, por isso nenhuma ideia está imune ao risco de algo falhar.

Elon Musk, fundador e CEO das empresas Tesla e SpaceX estimou no seu início que cada uma das empresas teria 10% de probabilidades de ter sucesso. Esse risco era uma tradução da ambição que ele tinha com cada uma das empresas. Com a Tesla ambicionava transformar uma indústria automóvel para adotar a produção de carros eléctricos. Com a SpaceX o objetivo era criar novas modalidades de foguetões de forma a tornar a exploração espacial mais acessível. Ambos os objetivos eram extremamente ambiciosos – a sua execução dependia, por exemplo, de muitos fatores tecnológicos difíceis de antecipar. Hoje ambas as empresas são um sucesso. A Tesla está a ter uma valorização de 30 mil milhões de dólares e a Space X uma valorização de 15 mil milhões de dólares.

If things are not failing, you are not innovating enough. Elon Mus

As melhores oportunidades estão muitas vezes naquilo que parecem ser as más ideias

Confuso? As boas ideias são recebidas mais facilmente pelas grandes empresas e investidores. As boas ideias que parecem más ideias são boas oportunidades para investidores independentes e startups.

Ideias que parecem ser boas são fáceis de identificar, tornando-as alvos óbvios para empresas estabelecidas. Existem, no entanto, ideias boas que parecem ser más e como tal são tesouros por explorar.

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Estas são algumas das potenciais más ideias que hoje são imprescindíveis a nível global e a sua indústria movimenta milhares de milhões de euros:

  • O telefone

“O telefone tem demasiados problemas para ser seriamente considerado um meio de comunicação. Este aparelho não tem valor algum para nós” – Western Union, 1876.

140 anos depois o telefone evoluiu para telemóvel e smartphone. Aproximou milhões de pessoas. Quebrou barreiras. Promoveu cultura. Hoje é mainstream e visto com um bem de primeira necessidade.

  • A televisão

“A palavra é meio grega, meio latina. Nada de bom pode vir daí” – C.P. Scott, BBC.

Mas veio. Em 2009 existiam mais de mil milhões de casas com pelo menos uma televisão.

  • O computador

“Acho que existe mercado para talvez cinco computadores” – Thomas Watson, presidente da IBM, 1943.

São bem mais do que cinco. Basta pensarmos que em 1995 menos de 1 por cento da população tinha acesso à internet. Hoje estão ligadas mais de três mil milhões de pessoas, cerca de 40% da população mundial.

  • O iPhone

“Não existe hipótese alguma do iPhone obter uma quota de mercado significativa” – Steve Ballmer, 2007

Os números contrariam a previsão do antigo presidente da Microsoft. Um dos últimos iPhone’s, o 6, vendeu 10 milhões de unidades em apenas três dias no seu lançamento.

Boas ideias que parecem más ideias.

O ceticismo inicialmente gerado por estes produtos foi superado pela aceitação e funcionalidade dos mesmos, que desempenham hoje um papel importante na partilha de ideias e na circulação das mesmas.

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